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Algarve, Marcos
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[[File:Marcos-algarvefoto.JPG|105px]]<br /> *'''Marcos Algarve'''<br /> Nome literário de '''Francisco Marques da Luz'''<br /> Olhão, 07/10/1875 - Sintra, 08/09/1960<br /> Republicano. Comerciante. Jornalista. Escritor. Presidente da Câmara de Portimão. <br /> [[File:PoemaMarcos.JPG|389px]]<br /> *'''Messines - Aldeia onde nasceu João de Deus''' <br /> <br /> Quando te fito, ó solitária aldeia! <br /> Sob áureo manto d'alvacentas brumas, <br /> Julgo viver em branco mar d'espumas <br /> Onde o luar a nossa vista enleia! <br /> Há para mim a grata melopeia <br /> Repleta d'efusão — cismar em umas <br /> Imaginarias, mas formosas plumas, <br /> Com que eu adoro mística epopeia... <br /> Segredam lânguidos, gracis cantares, <br /> Nos perfumados e saudáveis ares, <br /> Os alados e cindidos Orfeus... <br /> Oh divinal tristeza de poetas! <br /> Que assim, por estas plagas indiscretas, <br /> Fundaste o berço de João de Deus! <br /> 1899 '''Marcos Algarve''' in '''"Almanach do Algarve'''" <br /> *'''Carta a uma Andorinha''' Escrevo-te esta carta para longe,<br /> Sem bem saber a tua direção;<br /> Mas o instinto sereno dalgum monge<br /> Encaminha decerto a minha mão.<br /> Evoco ainda as tuas melodias,<br /> De manhã cedo, sobre o meu beiral;<br /> Não imaginas quantas arrelias<br /> Por não ser esta carta a um pardal...<br /> Falaria com toda a liberdade<br /> E o pitoresco exótico da grei;<br /> Diria com meu ar de santidade<br /> O bem e o mal que em tudo constatei.<br /> As sardinhas de prata do Algarve,<br /> Hoje comida rara e de valor,<br /> Só as come um endinheirado alarve<br /> Ou um voraz e juvenil prior.<br /> Ora vê, andorinha, doce amiga,<br /> Como sentimos já as privações;<br /> Cada dia que passa nova briga<br /> Pela falta de couves e feijões.<br /> Este inverno tem sido de inclemências,<br /> De chuvas e de frios glaciais,<br /> Assim farei as minhas penitências<br /> Para que Deus não nos castigue mais...<br /> A mágoa que apunhala o pensamento<br /> É uma fera lúgubre e feroz...<br /> Meiga andorinha! Luz de sentimento!<br /> Música divinal da tua voz!<br /> A Primavera este ano traz agouros,<br /> Talvez até matanças das mais vis,<br /> Homens civilizados que são mouros<br /> Na fúria dos desmandos incivis...<br /> De resto, minha linda mensageira,<br /> Os meus lamentos são de pecador,<br /> De quem subiu a aspérrima ladeira<br /> À laia de Geraldo Sem Pavor...<br /> Vaidades minhas, velhas fantasias...<br /> Não venhas cá sem consultar alguém:<br /> Um sábio que revolva profecias<br /> Ou jornalista que defenda o bem.<br /> Consulta, por exemplo, o Doutor Lopes,<br /> Que é um sábio complexo e pertinaz,<br /> De clássicos harpejos e galopes,<br /> E que apesar de tudo é bom rapaz.<br /> Pede conselhos ao Dr. Fuzeta,<br /> Que é homem atilado e sabedor,<br /> Romântico dos tempos de Gambeta<br /> E ironista cruel e gladiador...<br /> Se preferes artistas consumados,<br /> O caso é de ouro como o próprio Sol;<br /> Escreve com segredos e cuidados<br /> Ao poeta Guerreiro... Do Tirol.<br /> Manda-lhe tirolesas afamadas,<br /> Ou púdicas donzelas do Sião,<br /> Para que ele a horas desoladas<br /> Volte a sentir a sua inspiração.<br /> Andorinha saudosa que eu ouvia<br /> Nas floridas manhãs do mês de Abril,<br /> Não faças estes anos travessia<br /> Por estas várzeas tépidas de anil.<br /> Pensarás tu na teimosia minha<br /> Ser um produto de secreto mal?<br /> O jornalista Julião Quintinha<br /> Que te elucide como imparcial.<br /> À minha secretária está um neto<br /> Para escrever o que o avozinho<br /> diz. Que tal não é agora o meu aspeto<br /> De amargurado S. Francisco Assis!...<br /> Tempestades brutais e variadas<br /> Arrasaram meu forte coração.<br /> O Mundo com as suas mascaradas<br /> Aniquila saúde, paz, razão...<br /> Águas passadas não moem moínhos<br /> É um velho provérbio popular.<br /> Castas andorinhas! Até os nossos ninhos<br /> São flocos engolidos pelo mar...<br /> Mar tenebroso que sacode tudo<br /> E a mesma Humanidade e estupidez...<br /> Vendo a guerra e o meu neto fico mudo!<br /> O resto logo vai para a outra vez...<br /> '''(Revista Turismo, Janeiro/Fevereiro de 1942)''' *'''Notas Biográficas'''<br /> Foi Presidente da Câmara de Portimão e o seu nome é topónimo numa rua dessa cidade.<br />Colaborou em inúmeros jornais republicanos,nacionais e regionais, como correspondente local e como redator. *'''Bibliografia'''<br /> '''''Canções d`alguém''''',1903.<br /> '''''Entre um berço e um túmulo: desgraça íntima''''',1904. <br /> '''''Amor à Francesa''''', 1924<br /> '''''Mistérios da Praia da Rocha''''', Editora Minerva, Famalicão, 1926.<br /> '''''Calvário Bendito''''',1935.<br /> '''Marcos Algarve''' colaborou em jornais republicanos: '''O Mundo''', '''A Luta''', Revista '''"Alma Nova"''' e em quase todos os jornais algarvios do seu tempo.<br /> Editou '''"O Xul"''' e o '''"Almanach do Algarve'''" que podem ser consultados digitalizados nos links seguintes:[https://bndigital.bnportugal.gov.pt/indexer/index/geral/aut/PT/184090.html]<br /> [[File:MarcosAlgarveLivro.jpg|132px]] [[File:O Xul.JPG|137px]] [[File:Almanach.JPG|142px]]<br /> *Veja mais sobre '''Marcos Algarve''' nos seguintes links:<br /> [https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_L%C3%BAcio_Pous%C3%A3o_Pereira - Na Wikipedia, na página do poeta João Lúcio aparece uma nota onde se esclarece que este é "frequente e erroneamente confundido com Marcos Algarve, pseudónimo de outro escritor olhanense, Francisco Marques da Luz". Porém esta confusão já pouco acontece na atualiade.]<br /> [https://www.olhaocubista.pt/personalidades/francico_fernandes_lopes.htm - Como curiosidade, no blogue "Olhão Cubista", refere-se que em 1924 o Dr. Francisco Fernandes Lopes "protagonizou uma agressiva polémica nos jornais regionais contra outro olhanense, Francisco Marques da Luz (escritor da época conhecido pelo pseudónimo Marcos Algarve) por este ter escrito um livro escandaloso '''"''Amor à francesa"''''' onde se insinuavam situações amorosas picantes entre algumas personalidades conhecidas de Olhão, nomeadamente ele próprio e outros, como o cónego da Vila, o que se revelava insultuoso pela inverdade."]<br /> [https://www.arquivo.museu.presidencia.pt/details?id=131804 - Cópia de carta de Manuel Teixeira Gomes para Francisco Marques da Luz]<br /> [[File:CartateixGomesamarcos12.png|134px]][[File:CartateixGomesamarcos.21.png|132px]]<br /> [https://promontoriodamemoria.blogspot.com/2019/ - Vilhena Mesquita publica neste "um soneto que o poeta Marcos Algarve (pseudónimo de Francisco Marques da Luz, natural de Olhão, jornalista republicano e maçom) escreveu em homenagem a Manuel Teixeira Gomes, no dia 5 de Outubro de 1923, quando este se alcandorou à mais alta magistratura da nação portuguesa." e que transcrevemos a seguir:]<br /> <br /> O Presidente da República<br /> O requintado Artista das viagens,<br /> O Cellini da prosa facetada<br /> O caminheiro da alma enamorada<br /> E de olhos embebidos nas paisagens<br /> <br /> Sobe hoje ao Capitólio das miragens<br /> Onde a Arte soberana, enclausurada,<br /> Chama por ele, tímida e magoada,<br /> E pede-lhe o recorte das Imagens!...<br /> <br /> A mão, porém, do Chefe e dos Artistas,<br /> No mesmo impulso arrebatado e frio,<br /> Fará que a Pátria aos vendavais resista…<br /> <br /> Coragem!... Vão ao leme do Navio<br /> Os glóbulos do sangue fantasista<br /> Dum coração brioso de Algarvio!<br /> <br /> [[Category:Autores]][[Category:Escritores]][[Category:Olhão]][[Category:Portimão]]
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